Creio que essa pergunta seja muito pretensiosa e creio também que responder ela seja, justamente, um ato de presunção, mas me permitirei fazer esse exercício.
Sempre me pego fazendo esse tipo de pergunta. Acho que tem a ver com o meu interesse de ter a vida um pouco mais bem vivida, mas nunca consegui achar uma resposta satisfatória. Deve ser difícil viver sob um único paradigma com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Uma das coisas que me motiva a pensar sobre isso são os vários dias que eu me canso demais fazendo algo e os outros vários dias em que passo ansioso procrastinando tudo que quero fazer. O que eu pensei em registrar ao criar o artigo é o seguinte: Que eu devo me tratar melhor.
Os problemas podem facilmente virar uma bola de neve na nossa cabeça e várias vezes eu passo muito tempo pensando em me animar para tentar resolver eles, mas sempre esqueço de alguns fatores importantes. O primeiro é que eu posso estar enganado quanto ao escopo do problema, ou no sentido de ser fácil demais, ou no sentido de ser um problema muito além do que se imaginava. O segundo é que a solução dada à tarefa provavelmente não será a mais adequada, muito menos perfeita, e às vezes nem adequada é. Isso, no geral, faz com que eu pense mais sobre a tarefa do que eu tente resolvê-la de fato, quando pensar claramente multiplica em um grau bem alto os esforços para realizá-la.
Como solução a isso, é importante pensar no problema de forma concreta e tentar resolvê-lo sem muito pretexto e nem muita preparação a princípio. A tarefa, de duas uma, ou será cansativa e, portanto, deverá acontecer em várias sessões, ou será mais rápida do que se imagina. Então o importante é estar preparado para descansar de alguma forma quando o trabalho acabar.
Isso me leva a uma segunda parte. Talvez seja bom passar o dia pensando em fazer alguma coisa legal ao final dele. Do contrário, o sentimento de que você está passando todos os dias trabalhando inutilmente pode te contaminar, principalmente se você estiver levando o seu trabalho como algo que não é um fim em si mesmo. Se esse último for o caso, o dia será feliz e o questionamento não será necessário.
De alguma forma eu conclui que a vida era boa assim, mas não me lembro como e não anotei os passos para isso. Garanto porém que eu senti alguma paz de espírito pensando nessas coisas. Deixo como um exercício para o leitor.
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